Menstruar é Político:

Notas (auto)etnográficas sobre Educação Menstrual Emancipadora

Autores

  • Larissa Pelúcio Unesp

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.493

Palavras-chave:

Escuela de Educación Menstrual Emancipadas, Educação Mestrual, Feminismo decolonial, interseccionalidade, academia Mestruocêntrica

Resumo

Durante seis meses vivi a experiência (auto)etnográfica de ser aluna do curso ofertado pela Escuela de Educación Menstrual Emancipadas, cujas idealizadoras e professoras são colombianas. Este artigo parte da sistematização dessa experiência formativa, articulando observações participantes, análise documental e entrevistas, com o objetivo de compreender como a educação menstrual emancipadora se apresenta como prática crítica, situada e decolonial. A pesquisa conjuga narrativas pessoais e análise dos conteúdos e metodologias do curso, observando também suas tensões, limitações e potenciais transformadores. Ao longo do texto, argumento que a proposta menstruocêntrica da Escuela se articula com pedagogias feministas latino-americanas, enquanto também inscreve desafios, como a profissionalização do ativismo e as barreiras de acesso a essas formações.

Referências

Baumgarten, Nicole C. (2024). Dataficando a menstruação: uma etnografia com um aplicativo de monitoramento do ciclo menstrual [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo].

Briden, Laura (2019). Cómo mejorar tu ciclo menstrual: tratamiento natural para mejorar las hormonas y la menstruación. GreenPeak Publishing.

Felitti, Karina A. (2021). Unidas en un gran conjuro: Espiritualidad y feminismos en la Argentina contemporánea.

Foucault, Michel (1999). A história da sexualidade, vol. 1 - A vontade de saber. Graal.

Gama, Fabiana (2020). A autoetnografia como método criativo: experimentações com a esclerose múltipla. Anuário Antropológico, 45(2), 188-208.

Guien, Jeanne. (2023). Une histoire des produits menstruels. Éditions Divergences.

Guimarães, Jamille (2023). “Abriu minha mente”: transitando entre a infância e a adolescência. Etnográfica: Revista do Centro em Rede de Investigação em Antropologia, 27(2), 341-364.

Lacqueur, Thomas. (2001). Inventando o sexo. Relume Dumará.

Llobet_Valls, Carme. (2020). Mujeres invisibles para la medicina. Capitán Swing Libros.

Manica, Danila. T. (2011). A desnaturalização da menstruação: hormônios contraceptivos e tecnociência. Horizontes Antropológicos, 17, 197-226.

Mariano, Miriam O. A construção da síndrome pré-menstrual. 2012. 216 f. Tese (Doutorado em Ciências Humanas e Saúde; Epidemiologia; Política, Planejamento e Administração em Saúde; Administra) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

Marín, Yionier. A. O., & Cassiani, Suzani (2021). Como seria o mundo se os homens cisgêneros também menstruassem? Outras abordagens sobre a menstruação no ensino de ciências e biologia. Bagoas: Estudos Gays, Gêneros e Sexualidades, 14(22).

Moreira, Virgínia P. “Pronto, agora já sou moça”: valores, crenças e saberes que envolvem a menstruação Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Centro de Humanidades, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2013.

Morozov, Evgeny. (2018). Big Tech. Ubu Editora.

Mundim, Maria Luiza. E., de Souza, Milena P. L., & Gama, Victor C. (2021). Transformação da percepção da menstruação entre gerações. Tensões Mundiais, 17(33), 229-247.

Paletta, Gabriela. C. (2018). Menstruapps: sobre poder tocar, ser tocada e onde. Revista Tecnologia e Sociedade, 14(34).

Paletta, Gabriela. C., Nucci, M. F., & Manica, D. T. (2020). Aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual e da gravidez: corpo, gênero, saúde e tecnologias da informação. Cadernos Pagu(59), e205908.

Silva, Larissa. M. P., & Motta, Eduarda. A. (2025). Não binariedade nos menstruapps–paradoxos entre visibilidade e vigilância queer. Revista Estudos Feministas (REF), 33(1), 22.

Poulos, Christopher. N. (2021). Essentials of autoethnography. American Psychological Association.

Rosenberg, Fúlvia. (1985). Educação sexual na escola. Cadernos de Pesquisa, 11-19.

Sardenberg, Cecília. M. B. (1994). De sangrias, tabus e poderes: a menstruação numa perspectiva sócio-antropológica. Estudos Feministas, 314-344.

Tarzibachi, Eugenia. (2017). Cosa de mujeres: Menstruación, género y poder. Sudamericana.

Vásquez, Carolina. R. (2022). Educación menstrual emancipadora: Una vía para interpelar la misoginia expresada en el tabú menstrual. Alcaldía de Medellín - Secretaría de las Mujeres.

Vencato, Ana Pauala, & Pelúcio, Larissa (2023). GT 08: Antropologia da menstruação: feminismos, corporalidades e tecnologias. Reunião de Antropologia do Mercosul, 14.

Wons, Letícia. (2020). "Introduzindo o primeiro produto menstrual que não absorve nada": Coletores menstruais e transformações nas ordens prático-simbólicas da menstruação.

Downloads

Publicado

17-01-2026

Como Citar

Pelúcio, L. (2026). Menstruar é Político:: Notas (auto)etnográficas sobre Educação Menstrual Emancipadora. Revista De Antropologia Da UFSCar, 16(2), 158–180. https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.493

Edição

Seção

Dossiê Educação Menstrual na prática: vazando experiências em campo