Palavras luminosas

esboço de uma ontologia da linguagem taurepáng

Autores

  • Caio Monticelli UFSCar

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.508

Palavras-chave:

Taurepáng, Cristianismo Indígena, Cosmologia, Ontologia da Linguagem, Noção de Pessoa

Resumo

Situados próximos à fronteira com a Venezuela, os Taurepáng possuem uma vida ritual bastante intensa. Praticantes há décadas da religião Adventista do Sétimo Dia, o cotidiano da aldeia Bananal é cadenciado pela realização de cinco cultos por semana. Dentro da igreja, o pregador é o responsável por transmitir a palavra de Deus aos membros da congregação. Sua fala, no entanto, precisa ser fortalecida pela ação do Espírito Santo, caso contrário o efeito pretendido não sairia como esperado. A hipótese de pesquisa deste trabalho é que a palavra de Deus transmitida pelo pregador detém uma qualidade luminosa denominada auká, caracterizada por ser uma “luz brilhante” que vem do céu. Ao equacionar as noções nativas de alma, auká e bem-estar, a presente análise busca contribuir para os contornos gerais de uma “ontologia da linguagem” taurepáng.

Referências

Abreu, Stela Azevedo de (1995). Aleluia: o banco de luz. Dissertação de Mestrado, IFCH, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Allard, Oliver & Walker, Harry (2016). Paper, power, and procedure: reflections on Amazonian appropriations of bureaucracy and documents. The Journal of Latin American and Caribbean Anthropology, 21 (3), pp. 402-413.

Almeida, Ronaldo (2004). Traduções do fundamentalismo evangélico. In Robin M. Wright (ed.), Transformando os deuses, vol. II. Igrejas evangélicas, pentecostais e neopentecostais entre os povos indígenas no Brasil (pp. 33-54). Campinas, SP: Editora da UNICAMP.

Almeida, Mauro (2013). Caipora e outros conflitos ontológicos. R@U – Revista de Antropologia da UFSCar, v.5, n.1, pp. 7-28.

Amaral, Maria Virgínia (2019). Os Ingarikó e a religião Areruya. Tese de Doutorado, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Andrello, Geraldo (1993). Os Taurepáng: memórias e profetismo no século XX. Dissertação de Mestrado, IFCH, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Armellada, Cesáreo de (1972). Pemonton Taremuru. Los Tarén de los Indios Pemon. Universidad Catolica Andres Bello, Caracas, Venezuela.

Armellada, Cesáreo de & Salazar, Mariano (1981). Diccionario Pemon. Caracas: Corpoven/Instituto Andrés Bello.

Bonfim, Evandro (2019). Glossolalia. The International Encyclopedia of Anthropology, pp. 1-5.

Butt, Audrey (1960). The birth of a religion: the origins of a semi-Christian religion among the Akawaio. Journal of the Royal Anthropological Institute, 60 (1), pp. 66-106.

Butt Colson, Audrey (1985). Routes of Knowledge: an aspect of regional integration in the circum-Roraima area of the Guiana Highlands. Antropológica, 63-64, pp. 103-149.

______ (2009). Land: its occupation, management, use and conceptualization. The case of the Akawaio and Arekuna of the Upper Mazaruni District, Guyana. Panborough: Last Refuge.

Butt Colson, Audrey & Armellada, Cesáreo de (1990). El rol económico del cháman y su base conceptual entre los Kapones y Pemones septentrionales de las Guyanas. Montalban, n. 22, pp. 7-98.

Capiberibe, Artionka (2007). Batismo de fogo: os Palikur e o Cristianismo. São Paulo: Annablume.

______ (2017). A língua franca do suprassensível: sobre xamanismo, cristianismo e transformação. Mana 23(2), pp. 311-340.

Capredon, Élise; Cernadas, César & Opas, Minna (orgs.) (2023). Indigenous Churches Anthropology of Christianity in Lowland South America. Palgrave Macmillan, Cham.

Cayón, Luis (2024). As substâncias da vida. In A. Barcelos Neto, L. Gil & D. Ramos (ed.), Xamanismos ameríndios: expressões sensíveis e ações cosmopolíticas (pp. 457-476). São Paulo: Editora Hedra.

Delèage, Pierre (2010). Rituels du livre en Amazonie. Cahiers des Amériques Latines 63-64(1-2), pp. 229-50.

Farage, Nádia (1991). As muralhas dos sertões. Os povos indígenas no rio Branco e a colonização. Rio de Janeiro: Paz e Terra; ANPOCS.

______ (1997). As flores da fala: práticas retóricas entre os Wapishana. Tese de Doutorado, FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Fausto, Carlos (2008). Donos demais: maestria e domínio na Amazônia. Mana 14(2), pp. 329-366.

Fausto, Carlos & Costa, Luiz (2021). Afinidades e diferenças: algumas considerações sobre a política da consideração (parte 1). Mana 27(3), pp. 1-29.

Gallois, Dominique (org.) (2005). Redes de relações nas Guianas. São Paulo: Associação Editorial Humanitas/FAPESP.

Gibram, Paola (2020). Falas da diferença: aconselhamentos e modos de ser kanhgág pé. Campos 21(1), pp. 43-60.

Hauck, Jan, & Heurich, Guilherme (2018). Language in the Amerindian imagination. An inquiry into linguistic natures. Language & Communication, 63, pp. 1-8.

Koch-Grünberg, Theodor (1982). Del Roraima al Orinoco, 3 vols. Caracas: Caracas: Ernesto Armitano.

______ (2006). Do Roraima ao Orinoco, v. 1: observações de uma viagem pelo norte do Brasil e pela Venezuela durante os anos 1911 a 1913. São Paulo: Editora UNESP.

Land, Gary. (2005) Historical Dictionary of Seventh-day Adventists. Historical dictionaries of religions, philosophies, and movements. Maryland: The Scarecrow Press, Inc.

Levy, Gabriela Copello (2003). Vozes inscritas: o movimento religioso de San Miguel entre os Pemon, Venezuela. Dissertação de Mestrado, IFCH, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Lewy, Matthias (2012a). Different “seeing” – similar “hearing”. Ritual and sound among the Pemón (Gran Sabana/Venezuela)”. Indiana 29, pp. 53-71.

______ (2012b). The Rituals of Orekotón and the Aguinaldos Pemón – The system of appropriation in Pemón music (Gran Sabana/Venezuela). Freie Universität Berlin, pp. 1-23.

______ (2017). About Indigenous Perspectivism, Indigenous Sonorism and the Audible Stance. Approach to a Symmetrical Auditory Anthropology. El oído pensante 5(2), pp. 1-21.

Lolli, Pedro Augusto & Andrello, Geraldo (2024). Farmacologia xamânica do Alto Rio Negro. In A. Barcelos Neto, L. Gil & D. Ramos (ed.), Xamanismos ameríndios: expressões sensíveis e ações cosmopolíticas (pp. 457-476). São Paulo: Editora Hedra.

Monticelli, Caio (2020). Patá matá, o que dizem os Taurepáng sobre o fim do mundo. Dissertação de Mestrado, PPGAS, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil.

Prestes Filho, Ubirajara de Farias (2006). O indígena e a mensagem do segundo advento: missionários adventistas e povos indígenas na primeira metade do século XX. Tese de Doutorado, FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Ramos, Danilo Paiva (2024). A escuta dos sopros. In A. Barcelos Neto, L. Gil & D. Ramos (ed.), Xamanismos ameríndios: expressões sensíveis e ações cosmopolíticas (pp. 157-188). São Paulo: Editora Hedra.

Rivière, Peter (1984). Individual and Society in Guiana: a Comparative Study of Amerindian Social Organization. Cambridge: Cambridge University Press.

______ (1995). Absent-Minded Imperialism: Britain and the Expansion of Empire in Nineteenth-Century Brazil. London: Tauris Academic Studies.

Robbins, Joel (2004). Becoming Sinners: Christianity and Moral Torment in a Papua New Guinea Society. Berkeley: University of California Press.

Rodríguez, Iokiñe; Gómez, Juvencio & Fernández, Yraida (2023). La historia de los Pemon de Kumarakapay. Reino Unido: Escuela de Desarrollo Internacional de la Universidad de East Anglia.

Santilli, Paulo (1994). La tradition orale Karib. Annales littéraires de l'Université de Besançon, 527. Besançon: Université de Franche, pp. 291-232.

______ (2001). Pemongon Patá. Território macuxi, rotas de conflito. São Paulo: Editora Unesp.

Thomas, David (1976). El movimiento religioso de San Miguel entre los Pemon. Antropologica, 43, pp. 3-52.

______ (1982). Order Without Government: The society of the Pemon indians of Venezuela. Chicago: Illinois Studies in Communication.

Vilaça, Aparecida & Wright, Robin (orgs.) (2009). Native Christians. Modes and Effects of Christianity among indigenous People of the Americas. Burlington: Ashgate Publishing Company.

Viveiros de Castro, Eduardo (2004). A antropologia perspectivista e o método da equivocação controlada. Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste, 5 (10), pp. 247-264.

Wright, Robin (org.) (1999). Transformando os Deuses. Os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp.

______ (org.) (2004). Transformando os Deuses volume II. Igrejas evangélicas, pentecostais e neopentecostais entre os povos indígenas no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp.

Downloads

Publicado

09-04-2026

Como Citar

Monticelli, C. (2026). Palavras luminosas: esboço de uma ontologia da linguagem taurepáng. Revista De Antropologia Da UFSCar, 17(1), 188–213. https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.508

Edição

Seção

Dossiê Ontologia e Linguagem