Línguas Encantadas, Memórias Vivas

O Povo Kiriri do Acré e a Retomada da Língua Pankawá

Autores

  • Maria Carolina Arruda Branco UFSCar

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.510

Palavras-chave:

Pankawá, Kiriri do Acré, Retomada da Língua, Encantados, Ciência

Resumo

O presente artigo aborda o processo de retomada linguística do povo Kiriri do Acré, destacando as particularidades da língua Pankawá em diálogo com outros contextos linguísticos. A partir de uma abordagem etnográfica, busca-se descreve como os Kiriri articulam saberes ancestrais, materiais escritos e relações com os Encantados para retomar uma língua viva e situada. A língua Pankawá não é apresentada como uma retomada puramente linguística, mas como expressão de um percurso histórico de alianças, deslocamentos e experiências compartilhadas com outros povos indígenas. Os Kiriri do Acré elaboram uma forma própria de fala, entre registros, rituais e encontros interétnicos, afirmando que a língua, assim como os territórios, também se constrói no movimento e na relação.

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Publicado

09-04-2026

Como Citar

Branco, M. C. A. (2026). Línguas Encantadas, Memórias Vivas: O Povo Kiriri do Acré e a Retomada da Língua Pankawá. Revista De Antropologia Da UFSCar, 17(1), 239–260. https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.510

Edição

Seção

Dossiê Ontologia e Linguagem

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