Pierre Clastres e os Guarani Mbyá

políticas da tradução

Autores

  • Adalberto Müller UFF

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.515

Palavras-chave:

Pierre Clastres, Guarani Mbyá, Antropologia política, Artes Verbais Ameríndias, Ayyu Rapyta

Resumo

Pierre Clastres esteve no Paraguai nos anos 1960, e o trabalho etnográfico que desenvolveu nesse período deu origem a algumas das obras mais significativas sobre antropologia e política, entre as quais se destaca La societé contre l‘État, publicado em 1974. Nesse mesmo ano, Clastres publicou Le Grand Parler, um conjunto de textos míticos e sagrados dos Guarani, que ele mesmo traduziu ao francês. Entre esses textos incluíam-se fragmentos do Ayvu Rapyta, a grande cosmogonia guarani mbyá, transcrita por León Cadogan nos anos 1950. Neste ensaio, queremos mostrar que esse trabalho de tradução das artes verbais guarani fundamenta a teoria política de Clastres, mas também apresenta problemas que afetam essa mesma teoria. Assim, ao final do trabalho, propomos uma nova tradução de um desses textos do Ayvu Rapyta feita diretamente do guarani mbyá, ressaltando escolhas que divergem da tradução de Clastres e apontam para outras maneiras de compreender as relações entre ontologia e poética.

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Publicado

09-04-2026

Como Citar

Müller, A. (2026). Pierre Clastres e os Guarani Mbyá: políticas da tradução. Revista De Antropologia Da UFSCar, 17(1), 354–380. https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.515

Edição

Seção

Dossiê Ontologia e Linguagem

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