Outras menstruações possíveis

retomadas entre sangue e corpo-território

Autores

  • Eloyza Tolentino Soares UFRN

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.490

Palavras-chave:

educação menstrual, corpo-território, antropologia digital

Resumo

No Brasil, a Lei nº 14.214/2021, que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, movimentou o país durante o seu processo de elaboração, gerando controvérsias e ampliando a visibilidade da menstruação em ambientes digitais. Iniciativas autônomas passaram a ser construídas por pessoas que se movimentam através da menstruação, seja em meios digitais ou presenciais, buscando disseminar o assunto a partir de uma abordagem que envolve ensinamentos, abordando temáticas desde o tabu menstrual e questões ginecológicas até direitos sexuais e reprodutivos. A partir de observações em documentos digitais imbricados com a menstruação, busco compreender os caminhos e as reinvenções que a educação menstrual tem percorrido no Brasil. Diante dos documentos analisados, foi possível perceber que a educação menstrual ainda é incipiente no Brasil, necessitando de um olhar crítico para que possa ser efetivada através de políticas públicas que considerem a multiplicidade das pessoas que menstruam.

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Publicado

17-01-2026

Como Citar

Soares, E. T. (2026). Outras menstruações possíveis: retomadas entre sangue e corpo-território. Revista De Antropologia Da UFSCar, 16(2), 82–107. https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.490

Edição

Seção

Dossiê Educação Menstrual na prática: vazando experiências em campo

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