Yangwareta e Akarandek

breve incursão pela cosmologia dos povos Wajuru e Macurap

Autores

  • Paulina Macurap Narradora e tradutora da comunidade Wajuru
  • Isaura Macurap Narradora da comunidade Macurap
  • Margarida Macurap Narradora e tradutora da comunidade Macurap
  • Antônia Fernanda de Souza Nogueira UFPA
  • Mayara Ribeiro Guimarães UFPA

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.507

Palavras-chave:

Cosmologia Wajuru e Makurap, Tradição Oral Ameríndia, Narrativa 'A Cabeça Voraz', Metamorfoses

Resumo

Este artigo é fruto de uma pesquisa conjunta entre narradores Makurap e Wajuru, pesquisadoras da linguística indígena, da antropologia e dos estudos literários. Faz uma breve incursão pela cosmologia dos povos Makurap e Wajuru, através da narrativa intitulada “A cabeça voraz”, comparando versões coletadas em temporalidades diferentes e destacando diferenças e semelhanças. O artigo elabora hipóteses interpretativas preliminares da narrativa, dialogando, especialmente, com estudos antropológicos. Essa narrativa é contada em diferentes versões por povos distintos no Brasil. Entre os Makurap, aparece como Akarandek, entre os Wajuru como Yangwareta. Para este trabalho, nosso corpus inclui as versões oralizadas em português das narrativas Makurap e Wajuru registradas na década de 1990 por Betty Mindlin, a versão oralizada em português da narrativa Makurap registrada em 2024, e a versão transcrita em Wayoro e traduzida para português da narrativa Wajuru, registrada em 2023, no âmbito do projeto de documentação etnolinguística com ambos os povos.

Referências

Cesarino, Pedro de Niemeyer (2011). Oniska, a poética do xamanismo na Amazônia. São Paulo: Ed. Perspectiva.

_____ (2013). Quando a terra deixou de falar: contos da mitologia marubo. São Paulo: Ed. 34.

Franchetto, Bruna (2018). Traduzindo tolo: “Eu canto o que ela cantou que ele disse que...” ou “quando cantamos somos todas hipermulheres. Estudos de literatura brasileira contemporânea, 53, pp. 23-43.

_____ (2012). Línguas ameríndias: Modos e caminhos da tradução. Cadernos de tradução, 30 (2), pp. 35-62.

_____ (2023). A viagem de urutau: Como é a vagina por dentro? Revista Estudos Feministas, Florianópolis, 31(3), e95356 DOI: 10.1590/1806-9584-2023v31n395356.

Galúcio, Ana V.; Nogueira, Antonia F. & Costa, Carla D. (2023). Makurap: Documentation of Language and Culture. Endangered Languages Archive. http://hdl.handle.net/2196/73b9o01s-1c78-2246-5187-0fm978700a80.

_____ (2023). Wayoro: Documentation of language and culture. Endangered Languages Archive. Handle: http://hdl.handle.net/2196/5004e53b-79f6-440d-81e6-266a64579366.

Guimarães, Mayara. R. (2025). Traduções e ações xamânicas nas artes verbais indígenas. Revista Dobra, Lisboa, 15. Handle: https://revistadobra.weebly.com/dobra-mdash-15.html.

Lévi-Strauss, Claude (1993). História de Lince. São Paulo: Editora Schwarcz.

_____ (1985). A oleira ciumenta. Rio de Janeiro: Ed. Brasiliense.

_____ (2006). A origem dos modos à mesa. Mitológicas, vol. 3. São Paulo: Cosac Naify.

Maldi, Denise (1991). O complexo cultural do marico: sociedades indígenas do rio Branco, Colorado e Mequens, afluentes do médio Guaporé. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi (Antropologia), 7 (2), pp. 209-269.

Mindlin, Betty (1993). Tuparis e Tarupás. São Paulo: Brasiliense/Edusp/Iamá.

_____ (1997). Moqueca de Maridos. Mitos eróticos. Rio de Janeiro: Record.

_____ (1996). A cabeça voraz. Estudos Avançados. São Paulo: USP, 10 (27), pp. 271-290. https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/8947

Ortiz, Simon (1992). Woven Stone, Tucson, University of Arizona Press.

Sá, Lúcia (2012). Literatura da floresta. Textos amazônicos e cultura latina americana. Rio de Janeiro: EDUerj.

_____ (2019). Endless stories: perspectivism and narrative form in native Amazonian literature. In F. Martínez-Pinzón e J. Uriarte (ed.). Intimate frontiers. A literary geography of the Amazon (pp. 128-149). Liverpool: Liverpool University Press.

Soares-Pinto, Nicole (2009). Do poder do sangue e da chicha: os Wajuru do Guaporé (Rondônia). Dissertação de Mestrado, PPGA/ Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, 2009.

_____ (2022). Mulheres-Onça: mitologia, gênero e antropofagia no Complexo do Marico. Revista de Antropologia, São Paulo, Brasil, 65 (1), e192785. DOI: 10.11606/1678-9857.ra.2022.192785.

Viveiros de Castro, Eduardo (2012). A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify.

_____ (1992). Araweté: O povo Ipixuna. São Paulo: CEDI.

Wajuru, J., Macurap, J., Nogueira, A. Galúcio, Ana V., Costa, Carla D. Engaging Wajuru/Wayoro and Makurap communities in collaborative documentation: Recording, learning, and communicating. Sámi language and culture research association scientific journal, aceito para publicação.

Downloads

Publicado

09-04-2026

Como Citar

Macurap, P., Macurap, I., Macurap, M., Nogueira, A. F. de S., & Guimarães, M. R. (2026). Yangwareta e Akarandek: breve incursão pela cosmologia dos povos Wajuru e Macurap. Revista De Antropologia Da UFSCar, 17(1), 169–187. https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.507

Edição

Seção

Dossiê Ontologia e Linguagem