O sentido do sangue:

considerações menstruais que vazam da norma

Autores

  • Za Chacon Saggioro Unicamp

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.486

Palavras-chave:

Menstruação, transreferenciada, LGBTQIAPN+, PCD que menstruam, Educação menstrual, transfeminismo

Resumo

O artigo documenta inquietações de homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias, travestis, intersexo e com deficiência a respeito da temática menstrual. Entrevistas e imagens decorrentes do projeto Corpos que Menstruam, roteiro de documentário aprovado pela lei Paulo Gustavo (2023), foram submetidas a análise descritiva a fim de propor caminhos emergentes para estudos do campo da menstruação. Compõem os resultados denúncias sobre os entraves ao acesso à saúde e educação menstrual digna para pessoas trans; o aniquilamento de pessoas intersexo nas condutas e saberes ginecológicos; manifestos sobre a inexistência de recursos de higiene menstrual adequados para pessoas com deficiência e os efeitos do marco cisheteronormativo do sangue na experiência destas pessoas, sobretudo em uma vivência travesti. Propõe-se a abordagem de menstruação transreferenciada, eixo de análise que se aproxima das do transfeminismo para produção de conhecimentos menstruais implicados com corpos dissidentes da estrutura social binária, cisheteronormativa e sem deficiências que podem sangrar.

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Publicado

17-01-2026

Como Citar

Saggioro, Z. C. (2026). O sentido do sangue:: considerações menstruais que vazam da norma. Revista De Antropologia Da UFSCar, 16(2), 14–33. https://doi.org/10.14244/rau.v16i2.486

Edição

Seção

Dossiê Educação Menstrual na prática: vazando experiências em campo

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