Nas águas de Ọ̀ṣun e Yemọja

Traduções “ficcionais” do Xangô do Recife

Autores

  • Tom Jones da Silva Carneiro UFPR

DOI:

https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.512

Palavras-chave:

Traduções Ficionais, Mito, Poética Oral, `Òsun, Yemoja

Resumo

Este artigo parte do meu trabalho no mestrado em Estudos da Traduçãoem que procurei fortalecer o conceito de traduções “ficcionais” de Carvalho (1993), identificando as estratégias utilizadas para traduzir as cantigas do Xangô do Recife. Considerei o conceito de mito em Malinowski (1986) para estabelecer diálogos entre tradução e antropologia a fim de investigar o papel da tradução na manutenção de tradições culturais de base oral. Comparei as traduções ‘‘ficcionais’’ que reinterpretam o conteúdo semântico de cantigas Ọ̀ṣun e Yemọja em seu ambiente de performance, a fim de identificar o quanto sua significação mudou ou foi recriada. Por fim, o estudo indica que os sentidos produzidos no Xangô do Recife estão intimamente ligados à intuição, ao reconhecimento de termos linguísticos do yorubá, à performance, ao afeto e à ressignificação. Assim, estudos como este apontam pistas para a compreensão do modo como o Candomblé vê e interpreta o mundo.

Referências

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Publicado

09-04-2026

Como Citar

Carneiro, T. J. da S. (2026). Nas águas de Ọ̀ṣun e Yemọja: Traduções “ficcionais” do Xangô do Recife . Revista De Antropologia Da UFSCar, 17(1), 280–304. https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.512

Edição

Seção

Dossiê Ontologia e Linguagem

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