O voo do urubu
cenas do canto zo’é
DOI:
https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.506Palavras-chave:
Zo'é, Canto, Artes Verbais, Poéticas IndígenasResumo
Os Zo’é cantam porque estão bravos, o rompimento amoroso é a sua motivação unânime. Em frases relativamente curtas, seus cantos podem evocar com bastante concisão narrativas míticas, biografias de antepassados específicos, ou disposições reconhecidas no modo de ser de variados animais. Após executado, um canto deve ser abandonado. Ele nunca se repete. Isso implica que cada performance exige do cantor um novo trabalho criativo, a partir de um fundo de referências compartilhadas. Com uma notável economia expressiva, estes cantos operam destacando relações e posições em torno de certas imagens poéticas recorrentes. Este artigo empreende um breve sobrevoo através de diferentes modalidades discursivas zo’é, cantadas, faladas e escritas, acompanhando a figura do urubu-rei. Para este experimento, são apresentados quatro cantos, uma narrativa mítica tomada por partes e algumas páginas de diário.
Referências
Braga, Leonardo V. (2017). Pani’em: Um esboço sobre modos de saber entre os Zo’é. Dissertação de Mestrado, PPGAS/Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
______ (2021). Panem. Sobre seu viés de gênero entre os Zo’é. Mana 27(2), pp.1-30.
Cabral, Ana Suelly A. C. (2012). Uma escrita para a língua Zo’é. Brasília: LALLI/IL/UnB.
Cesarino, Pedro de N. (2011). Oniska: poética do xamanismo na Amazônia. São Paulo: Perspectiva/Fapesp.
Clastres, Pierre [1974] (2003). De que riem os índios. In: _____. A sociedade contra o Estado e outros ensaios (pp.146-167). Tradução: Theo Santiago. São Paulo: Cosac & Naify.
França, Luciana (2006). Controle e Canibalismo: imagens da sociabilidade na Guiana. Dissertação de Mestrado, PPGAS/Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Franchetto, Bruna (1986). Falar Kuikuro: estudo etnolinguístico de um grupo karibe do Alto-Xingu. Tese de doutorado, PPGAS/Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
______ (2018). Traduzindo tolo: ‘eu canto o que ela cantou que ele disse que...’ ou ‘quando cantamos somos todas hipermulheres’. Estudos de Literatura brasileira contemporânea, 53 (jan-abr), pp. 23-43.
Gallois, Dominique T. & Havt, Nadja B. (1998). Relatório de Identificação da Terra Indígena Zo’é. São Paulo: NHII, Brasília: Funai.
Havt, Nadja B. (2001). Representações do Ambiente e da Territorialidade entre os Zo’é/PA. Dissertação de Mestrado, PPGAS/Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Heurich, Guilherme O. (2015). Música, morte e esquecimento na arte verbal Araweté. Tese de Doutorado, PPGAS/Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Lévi-Strauss, Claude. [1962] (1989). O pensamento selvagem. Tradução: Tânia Pellegrini. Campinas: Papirus.
Michael, Lev. (2001). Reported Speech, Experience and Knowledge. Texas Linguistic Forum, 44(2), pp. 363-372.
Packer, Ian (2020). Sobre a lenha, labaredas: Poética da memória e do esquecimento nas artes verbais krahô (Timbira/Brasil central). Tese de Doutorado, PPGAS/Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.
Pedreira, Hugo P. S. (2019). Potuwa pora kõ: o que se guarda no potuwa. Santarém: Instituto Iepé; FPE Cuminapanema.
Pedreira, Hugo P. S. & Malcher, Liendria (2023). Jijet: Como estudamos nossos cantos. Santarém: Instituto Iepé; FPE Cuminapanema; Organização Tekohara. 29 min. Filme.
Ribeiro, Fábio A. N. (2020). Encontros zo’é nas Guianas. Tese de Doutorado, PPGAS/Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista de Antropologia da UFSCar

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.


