A Antropologia e a Década Internacional das Línguas Indígenas
questões de ontologia e linguagem
DOI:
https://doi.org/10.14244/rau.v17i1.511Palavras-chave:
Línguas Indígenas, Ontologia e Linguagem, Etnografia da Fala, Década Internacional das Línguas IndígenasResumo
Diante da situação crítica de eminente perda de extenso patrimônio linguístico e cultural da humanidade, foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas a Década Internacional das Línguas Indígenas (DILI) para o decênio 2022-2032. A DILI tem como o lema “Nada para nós sem nós”, afirmado na “Declaração de Los Pinos – Chapoltepek”, que estabelece a participação efetiva dos povos indígenas nos processos de tomada de decisão, consulta, planejamento e implementação como princípios norteadores da iniciativa. Nesse contexto, foi elaborado o Plano Nacional da Década das Línguas Indígenas que explica os objetivos, metas, ações e organização no Brasil, com a criação do GT Nacional das Línguas Indígenas e mais dois outros grupos de trabalho que chamam atenção para formas pouco documentadas da diversidade linguística ameríndia no país: o Português dos Povos Indígenas e das Línguas de Sinais Indígenas. Tomando como ponto de partida a proposta do GT nacional da Década Internacional das Línguas Indígenas, o presente trabalho busca sinalizar possibilidades de diálogo da Antropologia com a DILI através das perspectivas da etnografia da fala/ comunicação e da abordagem ontológica nos estudos sobre linguagem para um entendimento do multinaturalismo e das dimensões cosmopolíticas envolvidas em processos de registro, retomada/revitalização linguísticas e documentação/fortalecimento de artes verbais indígenas.
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